Demanda Espontânea na Estratégia de Saúde da Família: uma análise dos fatores que a influenciam e os desafios na reorientação do modelo assistencial do SUS.

Rosane Costa Faria, Estela Márcia Márcia SaraivaCampos

Resumo



Este artigo traz resultados de uma pesquisa qualitativa realizada com os profissionais de equipes de saúde da família de duas unidades de atendimento primário, de Juiz de Fora, Minas Gerais. O objetivo foi compreender os fatores que orientam as práticas dos profissionais no atendimento à demanda espontânea. A técnica utilizada para a coleta de dados foi o grupo focal. As falas dos participantes foram analisadas por meio da análise temática do conteúdo. A análise documental da Secretaria Municipal de Saúde e as observações de campo possibilitaram a triangulação dos dados permitindo uma análise contextualizada nas três dimensões. Os resultados mostram que a estruturação da porta de entrada mantém entraves burocráticos antigos, que funcionam como obstáculos ao acesso dos usuários aos serviços e reforça o modelo de atendimento centrado na consulta médica. O acolhimento tem sido adotado como dispositivo que organiza a agenda do médico e realiza triagem de doenças, não tendo conseguido reformular os processos de trabalho. Para os profissionais, a excessiva demanda espontânea resulta tanto da pressão da população por atendimento médico quanto da desestruturação dos processos de trabalho das equipes. Conclui-se que impasses na conjuntura atual do sistema municipal de saúde têm dificultado melhores resultados da Estratégia de Saúde da Família na melhoria dos indicadores de saúde e na capacidade de ordenação da rede assistencial.  

 


Palavras-chave


Saúde da Família, Atenção Primária à Saúde, Necessidades e demanda de serviços de saúde.

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