DIÁLOGO ENTRE PROFISSIONAIS DE SAÚDE E PRÁTICAS POPULARES DE SAÚDE

Silvana Faraco de Oliveira, Maria Waldenez de Oliveira

Resumo


O objetivo desta pesquisa de caráter investigativo e qualitativo foi analisar a inserção de práticas populares de saúde no cotidiano do trabalho de profissionais de saúde egressos de um curso de extensão de "Práticas Populares de Saúde" oferecido pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) a profissionais de saúde formados ou em formação. O referido curso faz parte do Projeto de Extensão "Mapeamento e Catalogação de Práticas Populares de Saúde" e tem o objetivo de trazer os praticantes populares dos bairros mapeados pelo projeto de Extensão à Universidade para que possam fazer a apresentação de suas práticas para estudantes e profissionais de saúde. O curso de extensão Práticas Populares de Saúde da UFSCar tem a intenção de ampliar a visão de profissionais da saúde em relação a saberes populares, possibilitando uma quebra de preconceitos e uma integração entre os saberes acadêmicos, cuja importância é irrefutável, com saberes populares, procurados por grande parte da população. Utilizou-se como referencial teórico a Medicina Alternativa, Medicina Tradicional, Educação em Saúde e Atenção Primária à Saúde.

 A pesquisa foi realizada em 2010, mediante aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de São Carlos. Primeiramente aplicou-se um questionário para coleta inicial de dados e seleção dos sujeitos a serem entrevistados. Foram respondidos 22 questionários sendo identificados 12 egressos em exercício profissional. Destes, 6 aceitaram a entrevista, sendo 2 de cada edição do curso. As entrevistas foram realizadas entre os meses de março e abril de 2010 e seguiram um roteiro que tinha itens que questionavam a referência feita às práticas populares de saúde, a relação das mesmas com o serviço, além das barreiras que dificultam tal relação. A análise de dados levou em conta as respostas dos itens do roteiro. Todos entrevistados relataram que tanto os usuários de seus serviços fazem referências às práticas populares de saúde quanto os próprios entrevistados também tem contato com tais práticas, sendo comum entre eles o incentivo ao respeito a essas práticas nos seus ambientes de trabalho e orientações aos usuários para construção de sua autonomia, a qual passa pelas práticas cotidianas de cuidado. Na relação entre as práticas e o serviço, houve diferentes respostas, desde sua existência, passando por processos de construção dessa relação até a sua não existência. Os entrevistados relatam barreiras que dificultam tal relação, como a formação profissional centrada no cientificismo. Todos apontam que o curso propiciou quebra de preconceitos, sendo que quatro entrevistados apontam que o curso deu um forte apoio para suas relações com tais práticas, e dois que o apoio foi menos aparente. Por fim a pesquisa concluiu que é preciso trazer conceitos de práticas populares de saúde nos espaços da formação básica e na educação permanente em saúde, só assim os profissionais poderão quebrar seus preconceitos e se abrir ao diálogo com as práticas populares de saúde. 


Palavras-chave


Medicina Alternativa, Medicina Tradicional, Educação em Saúde, Atenção Primária à Saúde.

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